Um decreto assinado na última quarta-feira (27) pelo governador Otaviano Pivetta promete dar um grande impulso ao setor têxtil de Mato Grosso. O ato, realizado no Palácio Paiaguás com a presença de lideranças políticas e empresariais, marcou o lançamento do Programa de Verticalização da Indústria Têxtil, que prevê benefícios fiscais para produtores rurais e empresários do setor com empreendimentos instalados no estado e também para novos investimentos.
Na prática, o programa autoriza os produtores de algodão a transferirem para as indústrias o ICMS acumulado ao longo da cadeia produtiva. Em contrapartida, as indústrias poderão usar esses créditos para abater o imposto devido. Além de reduzir custos operacionais, a medida vai aumentar significativamente a competitividade do setor, beneficiando tanto novos investidores quanto empresas que já atuam em Mato Grosso.
Campo Verde na vanguarda do setor
Maior produtor de fio de algodão do estado e do Centro-Oeste — respondendo por 6% da produção nacional —, Campo Verde desponta como um dos principais beneficiados pelo Decreto Governamental. Unindo grande oferta de matéria-prima, localização estratégica e um sistema multimodal de transporte que favorece o escoamento, a cidade projeta a chegada de novas indústrias de tecidos, fios, malhas e confecções.
Para o prefeito Alexandre Lopes de Oliveira, o programa é um marco histórico na transição industrial do município. “O processo de verticalização depende de várias vertentes, não apenas da produção. Como gestores públicos, temos que fazer a nossa parte: garantir energia de qualidade, formação de mão de obra, infraestrutura e logística. Agora, com a chegada da ferrovia, criamos um ecossistema propício para a industrialização”, destacou.
Alexandre lembrou que indústrias instaladas em Campo Verde já utilizam incentivos como o PRODEIC (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso), mas que o novo decreto estende as vantagens a negócios que antes não eram contemplados. Ele também ressaltou que a cidade já combate o gargalo da falta de mão de obra qualificada por meio da Escola Técnica Estadual, que hoje oferta o curso de Técnico Têxtil.
Projetos saindo da gaveta
O otimismo é compartilhado pela iniciativa privada. Júnior Rambo, proprietário do Grupo Rovitex (controlador da Incofibras em Campo Verde), classificou o decreto como um elo de fomento para toda a cadeia. “O produtor é beneficiado ao comercializar o algodão dentro do estado e, consequentemente, a fiação pode incentivar a malharia, gerando um ciclo virtuoso”, explicou.
Com o novo incentivo, Rambo revelou planos de tirar projetos do papel, incluindo uma nova fiação para fio penteado e uma malharia com capacidade para 500 toneladas de malha por mês, prevendo a criação de 300 novos empregos. “Tínhamos projetos adormecidos esperando um decreto como este, que resolvesse as dificuldades da indústria local. Mato Grosso não deve apenas exportar o fio, mas agregar valor e exportar a malha pronta”, pontuou o empresário.

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