Por Luciana Bassanesi
Você está perdendo dinheiro agora mesmo. Não é a inflação, não é o governo, não é o chefe que não te dá aumento. É aquela pergunta que você responde sem pensar toda vez que vai pagar uma compra: “Vai parcelar em quantas vezes?” E você, sorrindo, responde: “No máximo de vezes sem juros, por favor.” Afinal, se não tem juros, é vantagem, certo? Errado.
Essa é uma das maiores armadilhas financeiras que você pode aceitar todos os meses. O parcelamento “sem juros” não é necessariamente gratuito. Muitas vezes, o custo do crédito está embutido no preço do produto, reduzindo sua capacidade de construir riqueza e transformando você em um pagador de boletos profissional.
Deixa eu ser direta com você: o Brasil é o país do parcelamento. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram como o crédito parcelado faz parte da rotina de milhões de brasileiros. São compras de roupas, eletrônicos, sapatos e até itens do supermercado sendo pagas em várias parcelas ao mesmo tempo.
Sabe o que isso significa na prática? Que, antes mesmo de o seu salário cair na conta, uma grande parte dele já não é mais sua. Você trabalha o mês inteiro para pagar pelo que consumiu no passado, e não para investir no seu futuro.
Aqui vem a parte que dói. O lojista não é bobo. O custo financeiro do parcelamento precisa ser considerado no negócio e, em muitos casos, acaba sendo incorporado ao preço final do produto.
Aquele produto de R$ 1.000, dividido em várias vezes “sem juros”, pode custar mais do que custaria em uma negociação à vista. Os juros podem não aparecer destacados na etiqueta, mas isso não significa que o crédito não tenha custo. Você paga por essa facilidade sem perceber.
Por que você cai nessa? Porque a prestação cabe no bolso.
Um produto caro parece impossível de comprar, mas quando o vendedor apresenta pequenas parcelas, a decisão parece muito mais fácil. Aquele celular de R$ 3.000 parece distante da sua realidade. Mas em pequenas parcelas? “Você dá um jeito.”
É assim que a armadilha se fecha. Uma parcela aqui, outra ali, mais uma do supermercado, outra daquele eletrodoméstico… Quando você percebe, uma parte significativa da sua renda já está comprometida.
E quando surge um imprevisto, não existe mais margem no orçamento. A saída pode ser o cartão de crédito, o crédito rotativo ou outro empréstimo — e aí os custos financeiros podem aumentar rapidamente.
Você precisa ouvir isso: o parcelamento não deve ser tratado como dinheiro extra. Ele pode dar uma falsa sensação de poder de compra enquanto compromete seu orçamento durante meses.
Não é culpa sua. Você foi ensinado desde cedo que parcelar é normal. O sistema de consumo incentiva você a comprar hoje com um dinheiro que ainda vai ganhar amanhã.
E existe toda uma estratégia comercial por trás das pequenas parcelas: elas fazem um produto parecer mais acessível e diminuem a percepção do valor total que será pago.
Mas agora você sabe.
E saber muda tudo.
TV Real SBT Campo Verde é a emissora afiliada ao SBT (66) 99603-2928 que leva informação, entretenimento e prestação de serviços à população de Campo Verde e região. Com programação local e regional, destaca-se pela cobertura de notícias da comunidade, produções próprias e integração à grade nacional do SBT.